top of page

Newsletter - Como Ensinar A História Judaica | Por Dara Horn | Para Sapir Journal

  • Foto do escritor: Dara Horn
    Dara Horn
  • há 7 dias
  • 13 min de leitura

O oposto do ódio não é o amor, é a curiosidade


Depois que meu livro sobre antissemitismo contemporâneo, "People Love Dead Jews" (As Pessoas Amam Judeus Mortos) foi lançado em 2021, percebi que havia cometido um erro bobo. Quando você escreve um livro de não ficção sobre um problema, as pessoas esperam que você o resolva no final do livro. Foi meu primeiro livro de não ficção depois de publicar cinco romances, e logo leitores de todos os lados me perguntavam: "Então, qual é a sua solução para o problema?" — ao que minha resposta, de duvidosa efetividade, era: "Vocês querem que eu lhes dê a solução definitiva para a questão judaica? Eu não estou nem um pouco preparada para isso."

Mas agora, depois de quatro anos de receber mensagens de leitores compartilhando suas histórias pessoais de horror sobre antissemitismo, e dois anos de uma guerra que também foi travada contra os judeus da dispersão, estou preparada. Tenho até um plano. Pode parecer simplista dizer que é possível derrotar um ódio multi secular, mas o fatalismo em relação a tais supostas impossibilidades não é algo que Martin Luther King Jr. ou Theodor Herzl teriam aceitado. De qualquer forma, minha sugestão é muito mais modesta. Meu objetivo não é derrotar o antissemitismo americano. É reverter a onda de ignorância que torna pessoas bem-intencionadas suscetíveis a ele. Minhas experiências falando para plateias não judias em todo o país nos últimos quatro anos me mostraram que existe muito, muito mais ignorância do que malícia — e isso é uma oportunidade.


— — — — —


Minha hipótese é que ensinar o público americano em geral sobre o conteúdo básico da civilização judaica — e como as sociedades dominantes reagiram a essa civilização — fornecerá aos nossos concidadãos americanos o conhecimento básico necessário para reconhecer e rejeitar o padrão consistente da mentira fundamental do antissemitismo. A mentira, em termos simples, é que os judeus estão destruindo tudo o que suas sociedades mais valorizam. O objetivo, embora não seja o fim do antissemitismo, é suficientemente valioso e ambicioso, mesmo sem chegar a ser uma solução definitiva. Trata-se de tornar normal e esperado que pessoas instruídas de todas as origens conheçam os fatos mais básicos sobre a civilização judaica, da mesma forma que hoje esperamos que pessoas instruídas conheçam os fatos básicos sobre o Holocausto. Isso deveria importar para todos, porque esses fatos básicos funcionam como um teste decisivo para viver em uma sociedade pluralista.

Este meu modesto objetivo surgiu de dois projetos desagradáveis ​​nos quais fui envolvida após o livro "People Love Dead Jews". Um deles foi o malfadado Grupo Consultivo sobre Antissemitismo de Harvard, criado sob a gestão da então presidente da universidade, Claudine Gay, que não acatou grande parte dos nossos conselhos. Aprendi algo importante com isso: já é tarde demais para se tentar combater o antissemitismo por meio da educação universitária. O outro projeto foi uma longa reportagem investigativa sobre o ensino do Holocausto nos Estados Unidos, que a revista The Atlantic me encomendou, intitulada "O Ensino do Holocausto Está Piorando o Antissemitismo?" (Spoiler: Sim). Este artigo fez com que muitas pessoas me odiassem — ou, como alguns dizem no mundo editorial, "iniciou uma controvérsia". Mas também recebi mensagens de muitos outros educadores sobre o Holocausto, ansiosos para aprender como poderiam melhorar.


Em minhas palestras para públicos não judeus, também notei que muitas pessoas tinham uma curiosidade intensa sobre a vida judaica, mas tal qual o quarto filho da Hagadá de Pessach, não sabiam como perguntar. Educadores às vezes falam do "currículo nulo" — aquilo que não é ensinado nas escolas, como a educação sexual algumas gerações atrás. O currículo nulo também faz parte do currículo, pois sinaliza aos alunos que, se quiserem saber algo sobre o assunto, precisarão buscar informações fora dos canais educacionais formais.



Se o objetivo do ensino do Holocausto é proteger nossa sociedade do antissemitismo, não faz mais sentido ensinar o público sobre os judeus vivos em vez dos mortos?



Em minhas reportagens sobre o ensino do Holocausto, notei que a única coisa que a maioria dos estudantes americanos aprende sobre os judeus, se é que aprendem alguma coisa, era que fomos pessoas que morreram na Europa entre 1933 e 1945. (Um guia de um museu do Holocausto me disse que os alunos frequentemente lhe perguntam: "Ainda existem judeus vivos hoje em dia?").


Quando bots nas redes sociais informam esses estudantes de que os judeus são colonizadores europeus que não têm relação alguma com o Oriente Médio, fica claro por que eles acreditam nisso, eis que esta informação não contradiz o que ouviram na sala de aula. Ao relegar a civilização judaica a um currículo inexistente, terceirizamos essa tarefa para o TikTok, uma plataforma que não é conhecida por seu interesse em civilizar nada. Se o objetivo do ensino do Holocausto é proteger nossa sociedade do antissemitismo, não faria mais sentido ensinar o público sobre os judeus vivos em vez dos mortos?


Depois de escrever e falar publicamente sobre essa ideia, comecei a conhecer pessoas de várias organizações que estavam se dedicando ao árduo trabalho de apresentar ao público não judeu a história positiva da vida judaica. Elas apresentavam esse material em escolas públicas e privadas do ensino fundamental e médio, em museus, em encontros inter-religiosos e online. Algumas educavam não judeus sobre as tradições judaicas, os feriados religiosos e as crenças. Outras forneciam informações precisas e acessíveis sobre Israel. Outras ainda se concentravam nos judeus americanos, ensinando como eles curaram a poliomielite ou lutaram pelos direitos civis dos afro-americanos. Muitas dessas iniciativas me impressionaram profundamente. Mas algo nelas também me deixava desconfortável. Esses esforços se baseavam na premissa de que o oposto do ódio é o amor ou a empatia, então o objetivo era fazer as pessoas amarem os judeus, ou pelo menos se identificarem com eles. Em seu esforço corajoso para evitar o foco no antissemitismo, essas abordagens muitas vezes aceitavam, sem perceber, a premissa mais profunda do antissemitismo: a de que os judeus precisam convencer os outros de seu valor.


Essa suposição tácita transparece em quase todos os detalhes. Nos materiais escolares sobre outras minorias, por exemplo, eu nunca vi nada que destacasse o trabalho de uma determinada minoria em prol de outros grupos — mas o material sobre judeus americanos frequentemente enfatiza seu papel como “aliados”. A ênfase nas contribuições de indivíduos judeus também parecia estranhamente defensiva; obter respeito público através da cura da poliomielite coloca o patamar a um nível muitíssimo elevado. A ideia de judeus como uma “religião” (embora os muitos milhões de judeus seculares não sejam menos judeus do que os religiosos) reflete a insistência de que os judeus são como qualquer outra pessoa, que se comportam de maneira adequada quando permanecem em seu nicho identitário. E por que os detalhes do conflito israelo-palestino são mais relevantes para os estudantes americanos do que os detalhes de como a Turquia (um aliado da OTAN com quem os Estados Unidos têm obrigações militares formais) ocupou o norte do Chipre ou lutou contra os curdos e armênios?


A resposta, claro, é que a suposição padrão e completamente ignorada na maioria das sociedades não judaicas é que os judeus são maus, a menos que se prove o contrário. É uma suposição que muitos judeus aparentemente internalizaram.



Frequentemente os judeus tiveram a possibilidade de escapar da perseguição assimilando-se às sociedades dominantes. Os judeus de hoje são descendentes dos que não o fizeram. O que levou aquelas pessoas a se comprometerem com essa escolha de alto custo?



Eu frequentemente defendia a ideia de focar nos judeus que vivem no judaísmo e nos aspectos positivos da vida judaica. Mas quanto mais eu refletia sobre essa divisão entre a abordagem “positiva” (ensinar as pessoas sobre a vida judaica) e a abordagem “negativa” (ensinar as pessoas sobre o antissemitismo), mais eu entendia o quão artificial essa divisão realmente é. Seria “positivo” evitar focar na opressão dos judeus ou “não controverso” evitar ensinar sobre o Sionismo e a independência judaica, ensinando, em vez disso, sobre… Chanuká? Fazia sentido ensinar às pessoas que os judeus eram iguais a todos os outros, quando os judeus passaram 3.000 anos sendo diferentes de todos os outros? Mais importante, por que os judeus passaram 3.000 anos sendo diferentes de todos os outros, em vez de desaparecerem em impérios dominantes, como quase todos os outros grupos antigos fizeram? Durante a maior parte da história judaica, os judeus tiveram a possibilidade de escapar da perseguição assimilando-se às sociedades dominantes, e muitos o fizeram. (O Holocausto foi atípico nesse aspecto.) Os judeus de hoje são descendentes daqueles que não o fizeram. Por que não o fizeram? O que levou aquelas pessoas a se comprometerem com essa escolha de alto custo, contrária à cultura dominante?


— — — — —


Ao refletir sobre essas questões após o 7 de outubro, eu compreendi que esses temas supostamente distintos — a vida e a cultura judaicas (incluindo Israel e o Sionismo), por um lado, e o Holocausto e o antissemitismo histórico e contemporâneo, por outro — nunca foram histórias separadas. São uma só história, que por acaso é uma das maiores histórias do mundo. É a história da inconformidade judaica, uma história que está no próprio fundamento da liberdade, e é a única razão pela qual algo relacionado a essa pequena parcela de 0,2% da população mundial deveria importar para o público não judeu.


É a história de um pequeno grupo de pessoas cujas ideias inovadoras moldaram a história mundial. A primeira dessas ideias foi o monoteísmo, que, na verdade, é uma ideia política. No mundo antigo, as sociedades tinham muitos deuses, e um desses deuses era frequentemente o ditador. Quando os judeus disseram que não se curvavam a outros deuses — declarando isso, em sua forma mais explícita, ao rei babilônico Nabucodonosor em Daniel 3:18: “Saiba, ó rei, que não prestaremos culto ao teu deus nem adoraremos a estátua de ouro que mandaste erguer” — o ponto principal é que eles não se curvavam a tiranos. A civilização judaica é um movimento anti-tirânico, um movimento inconformista, um movimento antihierárquico, baseado em uma história de libertação que ensinou ao mundo que a mudança é possível. É um movimento construído sobre leis, debates e diálogo civilizado que ensinou ao mundo que a liberdade exige responsabilidade.


Esses fundamentos da civilização judaica são inseparáveis ​​da história do antissemitismo há mais de 2.000 anos. A suposição de que os judeus são maus, a menos que se prove o contrário, persiste pela mesma razão que faz persistir a própria civilização judaica: sua inconformidade. Quando há um movimento anti-tirânico, ele irrita os tiranos. Quando há um movimento inconformista, ele irrita as culturas dominantes que precisam que todos se conformem. Quando há um movimento baseado na necessidade do diálogo civilizado, ele irrita as pessoas que não toleram debates ou dissidências.


A história do antissemitismo tem sido notavelmente consistente ao longo de milhares de anos e totalmente inseparável da civilização judaica, pois ela remonta à proposição radical do povo judeu de que as pessoas não precisam se conformar ou concordar, que não precisam se curvar a tiranos. Pessoas que se recusam a se conformar representam um profundo desafio à autoridade de uma cultura dominante. Um povo inteiro que se recusa a se conformar é um desafio quase intolerável, equivalente a uma ameaça. O antissemitismo não é apenas um preconceito social ou uma teoria da conspiração. É uma mentira que as pessoas usam para obter ou manter o poder. A grande mentira do antissemitismo é que os judeus estão destruindo aquilo que você mais valoriza, mesmo que isso mude ao longo da história. Essa mentira é o que transforma o antissemitismo em uma causa justa — ou pelo menos autojustificada.



Um movimento anti-tirânico irrita os tiranos. Um movimento inconformista irrita as culturas dominantes que precisam que todos se conformem. Um movimento baseado na necessidade do diálogo civilizado irrita as pessoas que não toleram debates ou dissidências.



Essa mentira está diretamente relacionada à ameaça que o povo judeu sempre representou para a ideia de conformidade e submissão cega. É uma mentira contada por pessoas que precisam dominar, sejam elas estudantes do ensino fundamental, influenciadores digitais ou tiranos declarados. É uma mentira que beneficia aqueles que precisam esmagar a dissidência. E a razão pela qual é tão difícil desarmar a Grande Mentira é que ainda estamos vivendo dentro dela e devemos fingir que não.

Supostamente, devemos ensinar lições edificantes sobre judeus europeus mortos e impotentes de quase um século atrás, enquanto fingimos que as pessoas mais ricas dos regimes mais tirânicos do mundo não estão gastando bilhões de dólares para espalhar a Grande Mentira, ou que a estrutura financeira da internet não se baseia no conceito inerentemente favorável à maioria de que a popularidade é o árbitro da verdade. O enorme investimento institucional na Grande Mentira é a razão pela qual os judeus hoje estão concentrados em apenas dois países do mundo. É a razão pela qual judeus israelenses são torturados e mantidos em cárcere privado por anos, enquanto grande parte do mundo aplaude seus sequestradores e assassinos. É a razão pela qual qualquer pessoa que publique algo sobre judeus online pode realisticamente esperar ser inundada de abusos. É a razão pela qual crianças judias americanas acham normal serem submetidas à marginalização diária em uma era de suposta desmarginalização. É por isso que tantos educadores talentosos que contam a história positiva da vida judaica, ao contrário daqueles que ensinam sobre judeus europeus mortos e impotentes da década de 1940, se veem implorando por migalhas das escolas, pedindo que, por favor, lhes concedam graciosamente uma aula de 40 minutos, ou talvez uma assembleia do "mês da herança", ou mesmo apenas um mural. Em muitas escolas americanas, não é incomum que os professores passem três semanas estudando o Egito Antigo, duas semanas a Mesopotâmia Antiga e quatro semanas a puberdade de Anne Frank. No entanto, de alguma forma, essas escolas mal conseguem encontrar algum tempo, ao longo de 13 anos letivos, para se dedicarem à civilização que é a fonte das culturas da maioria das pessoas no planeta, a civilização que inspirou os Fundadores da América, a civilização que mostrou ao mundo que a liberdade e o diálogo civilizado são possíveis — a civilização que ainda hoje prova isso.


— — — — —


Nossa responsabilidade, não apenas como judeus, mas como membros do Ocidente liberal descendentes da civilização judaica, é despertar a curiosidade das pessoas sobre essa história dramática à qual devemos nosso mundo. Os judeus estão entre os primeiros grupos da história a se opor à tirania e, até hoje, continuam a fazê-lo. Ninguém pode desmascarar a mentira do antissemitismo sem entender essa história, porque ela explica como aqueles que desejam dominar precisam dessa mentira como ferramenta para silenciar a curiosidade e esmagar a dissidência. Fundei o Instituto Tell para contar essa história. Dei-lhe o nome inspirado na ideia de um tell arqueológico, uma colina formada pelas camadas do passado, e também na arte de contar [o verbo “contar” em inglês é “to tell”] histórias, de falar nas coisas como elas são.


Nossa talentosa e experiente equipe de educadores (que inclui professores em tempo integral, supervisores regionais e autores de currículos) criou um conjunto conciso de planos de aula acessíveis e treinamentos para professores, que adaptamos para diferentes cursos e níveis de ensino no ensino fundamental e médio, bem como para contextos da comunidade judaica, como grupos de Bar Mitsvá. Esses planos de aula são um curso intensivo sobre as ideias inovadoras da civilização judaica que continuam a moldar as comunidades judaicas, assim como o mundo em geral. Integrada a essa introdução, está a dinâmica da Grande Mentira do antissemitismo, que exploramos em uma série de estudos de caso de antes e depois do Holocausto, que demonstram o padrão consistente dessa mentira. Esses estudos de caso se desenrolam em quatro continentes, o primeiro a partir de 40 ec e o último a partir de 2001. O objetivo é possibilitar o reconhecimento de padrões. Como a mentira em cada período histórico é ativada por novas mídias (pergaminhos, livros, imprensa, telégrafo, rádio, cinema, TV, internet), também tivemos que introduzir elementos de alfabetização midiática que os alunos não possuem, como a capacidade de reconhecer o efeito da verdade ilusória (em que a repetição faz com que uma falsidade pareça verdadeira), a maneira como os novos ambientes midiáticos invertem a relação entre credibilidade e exposição e o fato de que popularidade não é uma medida de verdade.


Longe de ser uma mera exposição de informações, esses materiais são interativos, modelando práticas de aprendizado judaicas milenares para despertar a curiosidade. Por exemplo, uma das atividades iniciais (uma breve atividade de abertura) em nossa segunda aula apresenta aos alunos uma situação hipotética: “Você vive em uma pequena comunidade independente que valoriza suas tradições. Um novo e poderoso governante assume o controle de sua região e emite uma proclamação: ‘A partir de hoje, todos os cidadãos devem abandonar seus antigos costumes e obedecer às leis do governante sem questionar. Reuniões independentes e decisões locais estão proibidas. Qualquer pessoa que se manifestar contra o novo sistema será punida.’”

Em seguida, os alunos são convidados a escolher entre quatro respostas: Concordam com a nova regra, já que qualquer um poderoso o suficiente para subjugá-los deve estar fazendo algo certo? Discordam, mas acatam para evitar conflitos? Resistem, mas apenas silenciosamente? Ou se opõem abertamente? (Historicamente, diferentes grupos de judeus reagiram de todas essas maneiras.) O objetivo do exercício é despertar a curiosidade sobre o que seria necessário para preservar uma contracultura sob a imensa e frequentemente violenta pressão das sociedades dominantes. Inicialmente, pensei que os alunos poderiam considerar essa atividade condescendente. Será que todo adolescente rebelde que se preze não optaria pela oposição aberta? Fiquei surpreso quando, em nossas primeiras turmas-piloto, os professores relataram que todos escolheram a obediência — e que isso abriu uma discussão sobre pressão social e dissidência. Acho que esses jovens precisavam de mais conhecimento sobre a civilização judaica do que nós imaginávamos.

Ainda estamos no início desse processo, mas já me surpreendi com o quão pouco é preciso para abrir a mente das pessoas. Em um treinamento para educadores de escolas públicas, comecei minha apresentação com os fundamentos mais básicos da civilização judaica: monoteísmo, a narrativa da libertação, leis que não emanam de governantes individuais, diálogo civilizado e também um princípio de não-expansão — os judeus nunca tiveram ou desejaram um império, nunca buscaram governar outros, e embora alguns judeus tenham feito proselitismo na antiguidade, não havia e não há uma missão de converter ninguém. Os professores e diretores dessa escola eram, em sua grande maioria, não judeus. Poucos sabiam algo sobre o judaísmo ou a vida judaica. Após os primeiros 20 minutos, fiz uma pausa para perguntas, e uma jovem no fundo da sala levantou a mão. "Então, o que você está dizendo", disse ela hesitante, "é que existe um pequeno grupo de pessoas que só quer ser deixado em paz, e ninguém os deixa em paz?" Bingo! — e levou apenas 20 minutos.



Não é incomum que os professores passem três semanas estudando o Egito Antigo, duas semanas a Mesopotâmia Antiga e quatro semanas a puberdade de Anne Frank. No entanto essas escolas mal conseguem encontrar algum tempo, ao longo de 13 anos letivos, para se dedicarem à civilização que mostrou ao mundo que a liberdade e o diálogo civilizado são possíveis e que ainda hoje prova isso.



Nas poucas respostas que recebemos dos alunos até agora, também vimos como é possível despertar a curiosidade sobre os aspectos “positivos” e “negativos” dessa história. Um aluno de ascendência brasileira mencionou que aprender o básico da civilização judaica foi algo com que se identificou muito — serviu como um espelho para “as presunções e perguntas idiotas que as pessoas me fazem sobre o Brasil”. Descobrimos que as pessoas realmente não sabem o quanto desconhecem sobre muitas coisas — e começar a aprender não é tão difícil quanto parece. Outro aluno ficou intrigado com a Grande Mentira: “O que realmente me chamou a atenção foi como mentiras e propaganda podem ser simples, mas eficazes. Isso me fez perceber que a maioria das pessoas aceita informações falsas cegamente, especialmente se elas estiverem alinhadas com o que já acreditam”. Ao final de uma oficina para professores, uma mulher afro-americana de uma escola pública federal me abordou com lágrimas nos olhos, falando sobre o que significou para ela aprender pela primeira vez sobre essa contracultura duradoura que representou um teste decisivo para uma sociedade pluralista. Em suas palavras: “Quero levar essa história de volta aos meus alunos negros e pardos. Eles precisam dessa história.”


Todos nós precisamos. O oposto do ódio não é o amor ou a empatia. É a curiosidade. E o propósito da educação é despertar a curiosidade, fazer com que as pessoas se deparem com o desconhecido não com medo, mas com o desejo de aprender mais. Felizmente, a civilização judaica nos legou milhares de anos de boas práticas para despertar essa curiosidade na próxima geração. É hora de abrir o diálogo para aqueles que não sabem como perguntar.


— — — — —


Dara Horn escreveu este artigo para a SAPIR Journal no inverno de 2026. O original encontra-se disponível em https://sapirjournal.org/aspiration-ii/2026/how-to-teach-the-jewish-story/

Comentários


Fale Conosco

Assunto

Contato

Rua Antônio Carlos 653
Bela Vista, São Paulo-SP, Brasil.
CEP: 01.309-011


Telefone: +55 11 2808-6299, ramal 6232

WhatsApp +55 11 94011-0674

E-mail: academia@cip.org.br
 

  • Instagram
  • Youtube
  • TikTok

Feito com 💙 por Academia Judaica © 2026 | CNPJ: 60.766.060/0001-41

bottom of page