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Newsletter - A ilusão dos dois Estados na Europa | Por Bassam Tawil | Gatestone Institute

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    Academia Judaica - Comunicação
  • 14 de mai.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 15 de mai.

Repetindo fracassos, ignorando os fatos.


Kallas discursa em conferência de imprensa em Bruxelas, Bélgica, em 20 de abril de 2026. (Foto: Nicolas Tucat/AFP via Getty Images)
Kallas discursa em conferência de imprensa em Bruxelas, Bélgica, em 20 de abril de 2026. (Foto: Nicolas Tucat/AFP via Getty Images)

Quase três anos depois, ao mesmo tempo em que Israel ainda se recupera das consequências da invasão liderada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e também das consequências de sua defesa contra o regime iraniano e seus representantes terroristas, os líderes europeus estão mais uma vez apegados e ocupados com sua perigosa fantasia de ressuscitar a chamada “Solução dos Dois Estados”.


Em um recente encontro em Bruxelas, que contou com a presença de mais de 60 países e diversas organizações internacionais sob a bandeira da "Aliança Global para a Implementação da Solução de Dois Estados", a União Europeia reafirmou seu apoio à "Solução de Dois Estados" – uma fórmula que se traduz no estabelecimento de um Estado palestino – que não tem a menor intenção de coexistir com Israel – colado à fronteira de Israel.


Segundo um relato, a ministra das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, afirmou durante a reunião que os participantes "não podem abandonar esta direção", referindo-se à necessidade de manter uma "linha política" apesar da escalada das crises. Prévot disse que os acontecimentos no Oriente Médio estão afetando a estabilidade da região e além, e pediu a continuidade dos esforços internacionais para revitalizar "o processo político" – e um potencial Estado genocida.

O relato continua: "A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que o bloco 'pode e deve fazer mais' para trazer a solução de dois Estados de volta às negociações de forma mais eficaz."


De acordo com outro relato: "[Kallas] reiterou que a solução de dois Estados continua sendo 'a única maneira de palestinos e israelenses viverem em segurança, dignidade e paz'."


Sua afirmação até seria risível, caso não estivesse tão perigosamente distante da realidade.


A resposta mais precisa à posição da ministra Kallas seria uma citação atribuída ao falecido Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger: “No momento atual, a única chance do leão se deitar com o cordeiro [segundo a formulação do profeta Yeshayahu - Isaías] é fornecer ao leão um novo cordeiro todos os dias."


Comecemos com a pergunta mais básica que os formuladores de políticas da UE se recusam a responder: a quem exatamente pretendem entregar este Estado palestino?


A quem exatamente pretendem os Europeus entregar o Estado Palestino?


À Autoridade Palestina, amplamente vista, inclusive por seu próprio povo, como irremediavelmente corrupta, terrorista, repressiva e ilegítima, e comprometida com a destruição de Israel? Ou ao Hamas, uma organização terrorista reconhecida internacionalmente como tal e abertamente comprometida com a destruição de Israel?

Junto aos palestinos, não há uma terceira opção.


Os líderes europeus falam como se a "solução de dois Estados" nunca tivesse sido tentada. Contudo, na verdade, uma versão dela já existiu na Faixa de Gaza.


Em 2005, Israel retirou todos os seus soldados e expulsou todos os civis judeus da Faixa de Gaza. Os palestinos receberam o controle total do território. Foi-lhes dada uma oportunidade histórica para construir as bases de um Estado pacífico e próspero. A Faixa de Gaza poderia ter se tornado a "Singapura do Oriente Médio".

Em vez disso, os palestinos escolheram um caminho diferente; elegeram o Hamas para o poder.


O que se seguiu não foi a construção de um Estado, mas a transformação sistemática da Faixa de Gaza em uma base para a jihad (guerra santa): milhões foram investidos em túneis, mísseis e infraestrutura terrorista; incitação constante na mídia e nas mesquitas contra Israel e os judeus; e repetidas guerras e ataques terroristas.


O resultado foi um Estado Palestino de facto independente e soberano – um Estado comprometido com a destruição de Israel. Essa experiência culminou no massacre de 7 de outubro de 2023, o pior massacre de judeus desde o Holocausto.


A Faixa de Gaza tornou-se uma espécie de "Estado palestino": um mini-estado jihadista dedicado a assassinar judeus e eliminar Israel.


No entanto, a resposta da Europa a essa catástrofe é repetir a mesma experiência fracassada. O que parece estar realmente em jogo é que muitos líderes europeus, ao continuarem a promover o estabelecimento de um Estado terrorista palestino, querem provocar outro Holocausto e a eliminação dos judeus.


Os líderes da UE também ignoram que os líderes palestinos rejeitaram repetidamente muitas oportunidades para estabelecer seu próprio Estado. Isso não é especulação. É um fato crucial, histórico e bem documentado.


Na cúpula de Camp David de 2000, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak concordou com a criação de um Estado palestino em toda a Faixa de Gaza e em mais de 90% da Cisjordânia, com Jerusalém Oriental como sua capital e trocas de terras para compensar o restante. O então presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, disse não e se retirou, sem sequer esboçar uma contraproposta, de uma das ofertas de paz mais abrangentes já apresentadas aos palestinos.


O padrão se repetiu menos de uma década depois.


Em 2008, o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert apresentou uma proposta ainda mais generosa ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. A oferta incluía um Estado palestino em aproximadamente 94-97% da Cisjordânia, toda a Faixa de Gaza, trocas de terras para compensar o território restante, uma capital em Jerusalém Oriental e a custódia internacional dos locais sagrados em Jerusalém.


Abbas recusou-se a assinar o acordo – novamente, sem esboçar uma contraproposta.

Se Arafat ou Abbas tivessem aceitado qualquer uma dessas propostas, os palestinos teriam um Estado independente reconhecido há muitos anos. Em vez disso, escolheram a rejeição, o boicote e, em muitos casos, o terrorismo.


A recusa dos palestinos em aceitar a existência de um Estado judeu no Oriente Médio é precisamente o que os líderes europeus continuam a ignorar.



É mais fácil pressionar Israel do que confrontar a verdade incômoda


Os próprios líderes palestinos têm uma responsabilidade significativa pela ausência do Estado palestino.


A principal falha no pensamento europeu é a suposição de que o conflito é sobre terra. Ele não é. Se fosse, já teria sido resolvido há muito tempo.


A questão mais profunda é a rejeição generalizada palestina: a recusa persistente de grandes segmentos da sociedade palestina, bem como de grande parte do mundo árabe e muçulmano, em reconhecer o direito de Israel de existir dentro de quaisquer fronteiras. Para muitos, Israel não é um vizinho, mas uma entidade temporária e ilegítima que deve ser desmantelada.


Os líderes europeus falam vagamente sobre "garantias de segurança", mas não oferecem nenhuma forma razoável de fazê-las cumprir.


Alguém pode garantir que um Estado palestino não se tornará outra Faixa de Gaza, uma base para milícias terroristas apoiadas pelo Irã e mais uma plataforma de lançamento de ataques contra Israel?


Criar tal Estado nas condições atuais colocaria uma entidade hostil à porta de Israel. Esse é um risco que nenhuma nação soberana aceitaria.



O terrorismo é tolerado e até recompensado, enquanto a autodefesa é condenada e punida



Ainda mais preocupante é o foco equivocado da UE. Em vez de confrontar os verdadeiros motores da instabilidade e do terrorismo, o Irã e seus aliados, os líderes europeus estão direcionando a pressão para Israel. Alguns estão propondo sanções contra israelenses e a suspensão do Acordo de Associação da UE com Israel. Essa resposta envia uma mensagem perigosa: o terrorismo é tolerado e até recompensado, enquanto a autodefesa é condenada e punida.


A "solução de dois Estados", tal como atualmente concebida pelos líderes da UE, não é um caminho para a paz. É uma receita para mais violência. Criar um Estado palestino não resolveria o conflito. Pelo contrário, o intensificaria, encorajaria os terroristas e aumentaria a probabilidade de futuras guerras. É equivalente a pedir a Israel para que assuma riscos existenciais em nome de uma ilusão diplomática.


Os líderes da UE falam de "soluções" enquanto se recusam a confrontar a realidade. Enquanto a Europa não reconhecer os obstáculos fundamentais – a rejeição palestina e o domínio da ideologia jihadista – suas políticas permanecerão não apenas equivocadas, como também perigosas para a segurança internacional.


Mas por que razão os europeus deveriam pensar nisso? Nem sequer estão perto da região, motivo pelo qual não sofreriam quaisquer consequências desastrosas – não só para os israelenses mas também para os palestinos, que são governados de forma deplorável.


O esporte dos europeus, ao que parece, é apenas de dizer aos outros o que eles devem fazer.

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Bassam Tawil é um acadêmico árabe muçulmano sediado no Oriente Médio. O texto original em inglês encontra-se em https://www.gatestoneinstitute.org/22469/europe-two-state-delusion

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