Newsletter - Acordo Israel - Líbano: novidade ou mais do mesmo? | Por Hussain Abdul-Hussain | Em "This is Beirut"
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Um acordo com força: O Líbano concorda em desarmar o Hizbolá ou perder território.
Publicado em “This is Beirut” em 29 de junho de 2026

Um documento que estabelece a estrutura básica para um futuro acordo foi assinado na semana passada pelos Estados Unidos, Israel e Líbano.
Ele finalmente concretiza uma força efetiva a uma exigência que esteve presente em todos os documentos sérios de cessar-fogo desde 2006: o desarmamento do Hizbolá.
Ao contrário de acordos anteriores, a retirada israelense do sul do Líbano está agora condicionada a medidas verificáveis por parte do Líbano para desmantelar o Hizbolá, grupo que atua como braço do Irã.
O Líbano tem duas alternativas: ele pode desarmar o Hizbolá ou perder o controle de sua região fronteiriça ao sul — atualmente despovoada — para Israel. Pela primeira vez, o custo da manutenção do arsenal do Hizbolá recairá sobre os habitantes do sul do Líbano, e não sobre os moradores do norte de Israel.
Em 2006, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, negociou e aprovou, em nome do Hizbolá, a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que estipulava o desarmamento do grupo.
Em 2024, o governo do primeiro-ministro Najib Mikati — sob forte influência do Hizbolá — votou a favor da cessação das hostilidades, medida que também exigia o desarmamento da milícia. Em ambas as ocasiões, o Hizbolá utilizou as instituições estatais libanesas para assinar documentos que nunca teve a intenção de cumprir.
Assim que os combates cessaram, a milícia se rearmou, reconstruiu sua rede de túneis e preparou-se para a próxima onda de ataques. As promessas do Líbano revelaram-se ser apenas pausas táticas para beneficiar a milícia, e não compromissos reais de restaurar a soberania do Estado.
O custo da manutenção do Hizbolá recairá sobre os habitantes do sul do Líbano, e não sobre os moradores do norte de Israel
O acordo de 2026 põe fim a esse ciclo. Em vez de introduzir novos termos sobre o desarmamento do Hizbolá, ele acrescenta mecanismos para sua execução. A retirada militar israelense está condicionada a ações concretas, incluindo o recolhimento de armas pesadas pelo Líbano, o desmantelamento de instalações militares e a prevenção do rearmamento do Hizbolá.
O não cumprimento dessas condições significa que o Líbano não recuperará a soberania plena sobre seu território ao sul. Cessar-fogos anteriores deram ao Hizbolá tempo para se reestruturar. Este acordo condiciona a recuperação do território libanês a resultados, deixando o Líbano diante de uma escolha binária e inevitável.
O Hizbolá reagiu ao acordo com hostilidade aberta contra o próprio Estado libanês. Seus meios de comunicação e aliados classificaram o acordo como uma traição. Suas forças de enfrentamento urbano entraram em confronto com agentes de segurança. Sua propaganda inundou as rodovias com mensagens de agradecimento ao Irã e de incentivo para que o Líbano se submetesse à tutela de Teerã nas negociações para encerrar a guerra com Israel.
As movimentações do Hizbolá não são ações de um movimento que demonstra confiança. Eles representam a reação de uma milícia que compreende que um governo libanês soberano negociando a paz ameaça seu projeto iraniano mais do que as derrotas no campo de batalha.
Durante anos, muitos em Washington menosprezaram a oposição libanesa ao Hizbolá, considerando-a marginal demais para ter relevância, sob o argumento de que o país falava em uníssono apenas quando se comunicava por meio da milícia. A decisão do governo libanês de realizar negociações diretas com Israel, emitir uma declaração conjunta e assinar um acordo vinculativo prova o contrário.
Uma parcela da classe política e da opinião pública libanesa optou pela soberania em detrimento do domínio perpétuo da milícia. Esses patriotas estão em desvantagem bélica, mas muitos continuam a arriscar a vida e os cargos ao confrontar o Hizbolá. Descartá-los como irrelevantes apenas fortalece as forças que mantêm o Líbano refém há duas décadas.
Agora, comentaristas alinhados ao Hizbolá, tanto em Washington quanto em Beirute, argumentam que o acordo entre o Líbano e Israel é ruim. Alegam que ele é inexequível, pois o Hizbolá é intransigente demais para se desarmar e preferiria mergulhar o Líbano em uma guerra civil a entregar suas armas ao Estado. No entanto, é o acordo dos EUA com o Irã que permanece inaplicável no Líbano. Israel informou a Washington que não negociará sua segurança — incluindo o controle do território libanês — enquanto o Hizbolá não for desarmado.
Uma parcela da classe política e da opinião pública libanesa optou pela soberania em detrimento do domínio perpétuo da milícia
Os comentaristas levantaram, então, outra objeção. Argumentaram que o Líbano cedeu sua soberania a Israel por meio do Artigo 13 do acordo, o qual estipula que Beirute deixará de mover ações judiciais contra Israel em tribunais e fóruns internacionais.
Contudo, a cláusula aplica-se também a Israel. Embora Israel não tenha ameaçado processar o Líbano, poderia facilmente abrir um processo contra Beirute. Afinal, todos os grandes conflitos entre as duas partes envolveram ataques lançados a partir do território libanês.
Este acordo oferece ao Líbano o caminho mais claro para sair do ciclo de guerra e rearmamento, justamente por se recusar a repetir o padrão de promessas sem custo. Ou o Estado utiliza a força de negociação proporcionada por este acordo para desarmar o Hizbolá e restaurar sua soberania, ou aceita que grandes áreas do sul permaneçam fora de sua autoridade efetiva.
Partidários do Irã islâmico e da campanha contra Israel trabalharão para enfraquecer essa escolha e retratar o Líbano como um bloco monolítico que apoia o Hizbolá. Não se deve permitir que tenham êxito.
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Hussain Abdul-Hussain é pesquisador da Fundação para a Defesa das Democracias e escreve como colunista sobre o Líbano e questões relacionadas ao mundo árabe em geral.




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